Orquestra com instrumentos de cordas feitas com tripas de animais apresenta espetáculo sobre Tiradentes em BH

  • 24/04/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a orquestra com instrumentos de cordas feitas com tripas de animais Os sons do “Te Deum em Lá menor”, do compositor colonial mineiro José Joaquim Emílio Lobo de Mesquita, podem ser ouvidos até sábado (25) no Teatro da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, em Belo Horizonte, como se tivessem sendo executados no século XVI. É que os instrumentos de corda da Orquestra 415, que está em cartaz com o espetáculo “A Traição de Tiradentes”, usam cordas feitas de tripas. Veja ao fim da reportagem infográfico que mostra como instrumentos são feitos As tripas foram as primeiras matérias-primas das cordas usadas nos instrumentos musicais e proporcionam uma sonoridade única, mais doce e suave. Hoje só são usadas por músicos que buscam fidelidade histórica e tocam em conjuntos renascentistas ou barrocos, como é o caso da Orquestra 415. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Além dos instrumentos de cordas com tripas - violinos, violoncelos, violas e contrabaixos -, a Orquestra 415 usa outros instrumentos que não estão mais presentes em orquestras modernas, como o cravo, o alaúde, a guitarra barroca e as flautas doces. Integrantes da Orquestra 415 com instrumentos de corda de tripa. Gustavo Txai / Divulgação. A composição O “Te Deum em Lá menor”, escrito por Lobo de Mesquita entre o final do século XVIII e início do século XIX, tem um motivo especial pra ter sido escolhido pelo maestro e idealizador do espetáculo, André Salles-Coelho. Isso porque, dias depois da morte de Tiradentes, um Te Deum “em louvor ao malogro da inconfidência” foi apresentado, na Igreja Nossa Senhora do Pilar, em Vila Rica (atual Ouro Preto). "Muito já se especulou sobre qual seria esse Te Deum [um tipo de hino de louvor da igreja Católica]. Nenhuma informação é definitiva. De qualquer forma um Te Deum seria a melhor escolha. Comecei então uma maratona de audições por tudo do colonial mineiro que se encontrava à disposição em qualquer mídia. Um dia, pelo Youtube, despretensiosamente, ouvi uma música que me chamou atenção por sua enorme beleza. Era um dos dois Te Deum em lá menor escritos por um dos maiores compositores do colonial mineiro, Lobo de Mesquita. Foi amor à primeira vista, ou melhor, à primeira audição", disse Salles-Coelho. Apesar do encanto pela obra, Salles-Coelho não conseguia encontrar a partitura de Lobo de Mesquita. Passou meses pesquisando e conversando com especialistas, até que recebeu uma dica de que ela estaria no Museu da Inconfidência. Depois de um dia inteiro de pesquisas, em 2019, quando já tinha perdido as esperanças, uma cópia foi encontrada. Agora, o manuscrito editado está disponível na internet. "Foi quando um dos funcionários do museu, que nem estava nos atendendo, passou ao nosso lado e ouviu parte de nossa desanimadora conversa. Ele nos disse que se lembrava de ter visto, uns tempos atrás, um catálogo de partituras em um lugar meio deslocado dos demais. Em uma prateleira que não seria a correta. Pediu um tempo e saiu pra procurar. Vinte minutos depois, ele nos volta, coberto de poeira e suor, mas com o livro-troféu nas mãos", conta Salles-Coelho. Trecho da partitura com cópia do “Te Deum em Lá menor”, escrito por Lobo de Mesquita. André Salles-Coelho A peça Além da execução do Te Deum pela Orquestra 415 e pelo Coro 415, o espetáculo "A Traição de Tiradentes" conta com a participação de atores da Cia. 415 de Teatro, que encenam um encontro entre o mártir da Inconfidência e o delator, Joaquim Silvério dos Reis. Escrito por André Salles-Coelho, que além de músico é dramaturgo, escritor e jornalista, o texto mergulha em um episódio que, segundo ele é real, mas normalmente não é lembrado. A história narra o encontro de Tiradentes com o traidor, momentos depois de Silvério ter delatado a Inconfidência Mineira, colocando fim ao movimento e condenando vários de seus colegas. “Imaginar esse encontro, tão tenso, tão sensível, tão angustiante, sempre foi para mim um motivo de imensa curiosidade e satisfação. Mergulhei então nas diversas fontes sobre Tiradentes e sobre a Inconfidência, até me deliciar com O Tiradentes, de Lucas Figueiredo. O objetivo era fazer um espetáculo que não ficasse no puramente didático, mas que mostrasse em uma visão romanceada, esse encontro singular, o momento histórico e suas consequências”, disse Salles-Coelho. Em cena, Gustavo Marquezini dá vida a Tiradentes, Marco Túlio Zerlotini encarna o traidor, e Luciano Luppi narra o que teria acontecido no encontro. Serviço: Em Belo Horizonte até 25 de abril, às 20 horas, no Teatro da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais - Praça da Liberdade, nº 21, Belo Horizonte. Ingressos à venda aqui, por R$ 80,00 inteira, R$40,00 meia. Espetáculo “A Traição de Tiradentes”. Em cena, Gustavo Marquezini que interpreta Tiradentes, Marco Túlio Zerlotini que encarna o traidor, o músico André Salles-Coelho e parte da Orquestra 415. Gustavo Txai / Divulgação. Infográfico explica passo a passo da produção das cordas com tripas de animais. G1 Orquestra 415 e Coro 415 durante apresentação do espetáculo "A Traição de Tiradentes" Gustavo Txai / Divulgação Detalhe das cordas de tripas de um instrumento da Orquestra 415. Henrique Campos / TV Globo André Salles-Coelho durante pesquisa pela partitura no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Acervo Pessoal

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/04/24/orquestra-com-instrumentos-de-cordas-feitas-com-tripas-de-animais-apresenta-espetaculo-sobre-tiradentes-em-bh.ghtml


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